Autoras: Pamela Alejandra Saavedra1 e Emília Vitória da Silva2
Revisão: Dayani Galato2
- Farmacêutica do Conselho Federal de Farmácia e Estagiária de Pós-Doutoramento no Programa de Pós-Graduação em Assistência farmacêutica, Universidade de Brasília.
- Professoras permanentes do Programa de Pós-Graduação em Assistência farmacêutica, Universidade de Brasília.
A vacinação contra a herpes zoster (HZ) representa um marco na prevenção de uma das infecções virais mais dolorosas e incapacitantes em adultos 5,8. Atualmente, existem três tipos principais de vacinas: a vacina de vírus vivo atenuado (Zostavax®) 2, a vacina recombinante (Shingrix®) e a vacina inativada, indicada para pessoas imunossuprimidas.
A Zostavax®, derivada da cepa Oka/MSD, contém uma concentração 14 vezes maior de vírus atenuado do que a vacina de varicela 2,3. Sua eficácia varia de 50% a 70% 5, com redução da incidência da dor, também conhecida como neuralgia pós-herpética (NPH), em até 66% 2,5. Entretanto, a proteção decresce com a idade e ao longo do tempo — chegando a apenas 18% em maiores de 80 anos 5. Por ser uma vacina de vírus vivo, está contraindicada em pessoas com imunossupressão, nos quais casos de HZ disseminado foram relatados 5, essa vacina já esteve disponível no Brasil, mas sua comercialização foi descontinuada em 2022.
A vacina recombinante (Shingrix®), composta pela glicoproteína E do vírus Varicella-zoster e o adjuvante AS01B, representa avanço significativo em imunogenicidade e segurança 2. Sua eficácia ultrapassa 97% em indivíduos ≥50 anos e mantém proteção de longo prazo (até 10 anos) 2,3,6 . Mesmo em pessoas imunossuprimidas, a vacina Shingrix® demonstrou 81% de redução na incidência de HZ em comparação ao placebo 6 . Embora mais reatogênica, com alta frequência de reações locais (85%) e sintomas sistêmicos leves (66%), a taxa de eventos adversos graves é semelhante à observada em vacinas convencionais (estudo ZOE-50).
Pesquisadores compararam o risco relativo da síndrome de Guillain-Barré após a vacinação com vacina recombinante versus vacina de vírus vivo atenuado, durante um período de risco pós-vacinação de 1 a 42 dias e um período de controle de 43 a 183 dias. Os pesquisadores identificaram um risco atribuível de 3,13 (IC 95%: 0,62–5,64) casos em excesso por milhão de doses administradas nos primeiros 42 dias após a vacinação 5, mas os benefícios superam amplamente os riscos, conforme avaliação Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização (Advisory Committee on Immunization Practices ACIP) e da FDA (Food and Drug Administration) 1,5.
A adesão completa ao esquema de duas doses (intervalo de 2 a 6 meses) é crucial para garantir a efetividade. Estudos apontam que intervenções conduzidas por farmacêuticos, como lembretes eletrônicos e contatos telefônicos, aumentam a taxa de conclusão vacinal e reduzem o tempo entre as doses 7.
Além de administradores, os farmacêuticos e demais profissionais de saúde são mediadores-chave na educação vacinal. O esclarecimento sobre eficácia, segurança, possíveis reações e custo-benefício da imunização contribui para superar barreiras de hesitação vacinal — frequentemente relacionadas à percepção equivocada de que o HZ é uma condição leve ou inevitável com a idade 4,8.
Em síntese, a vacinação contra o HZ deve ser encarada como intervenção prioritária de saúde pública em populações envelhecidas. A integração entre equipes médicas, farmacêuticas e gestores é essencial para ampliar a cobertura vacinal, reduzir complicações e promover o envelhecimento saudável e ativo .
Cabe ainda salientar que a CONITEC está avaliando a incorporação da vacina contra HZ a pessoas idosas e adultos imunossuprimidos no SUS, no entanto, o custo da vacina, ainda é um desafio, o que não permita que seja custo-efetiva, levando a recomendação inicial de não incorporação.
Referências
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Data da última revisão: 15/12/2025. Licenciado sob CC BY 4.0.
