Herpes Zoster: aspectos clínicos,epidemiológicos e fatores determinantes

Autoras: Pamela Alejandra Saavedra1 e Emília Vitória da Silva2

Revisão: Dayani Galato2

  1. Farmacêutica do Conselho Federal de Farmácia e Estagiária de Pós-Doutoramento no Programa de Pós-Graduação em Assistência farmacêutica, Universidade de Brasília.
  2. Professoras permanentes do Programa de Pós-Graduação em Assistência farmacêutica, Universidade de Brasília.

A herpes zoster (HZ), também conhecida como cobreiro, é uma infecção viral causada pela reativação do vírus varicela-zoster (VZV) 1,8, o mesmo agente etiológico da catapora. Após a infecção primária, geralmente na infância, o VZV permanece latente nos gânglios sensoriais (raiz dorsal ou trigeminal) e pode reativar-se anos ou décadas depois 8, especialmente em condições de queda da imunidade celular 1. O envelhecimento, a imunossupressão, a exposição intrauterina ao vírus e fatores genéticos e ambientais estão associados a maior risco de reativação 1.

Clinicamente, a HZ se caracteriza por erupções cutâneas vesiculares dolorosas e unilaterais, com distribuição dermatomal — isto é, restrita à área de pele inervada por um nervo específico 8. A evolução típica das lesões envolve máculas, pápulas, vesículas e crostas 3. O sintoma mais marcante é a dor neuropática intensa, que pode persistir mesmo após a resolução das lesões, configurando a neuralgia pós-herpética, sua complicação mais comum 7,8. Essa neuralgia afeta até 20% dos adultos que tiveram herpes zoster, com maior frequência e gravidade em pacientes idosos 7, podendo comprometer significativamente a qualidade de vida 2. Outras complicações incluem herpes zoster oftálmica 7, encefalite, meningite 1, síndrome de Ramsay Hunt, paralisias nervosas 1,7 e HZ disseminada, especialmente em pessoas que estejam imunodeprimidas 1.

A imunidade mediada por células T é o principal determinante da reativação viral e da gravidade da doença. Pessoas vivendo com HIV apresentam risco até três vezes maior de complicações ou de ter herpes zoster 3, esse risco também é maior em pessoas submetidas a transplante de órgãos, podendo atingir mais de 9% dos pacientes 5. Embora a HZ não seja transmitida de pessoa a pessoa como a varicela, indivíduos suscetíveis (aqueles que nunca tiveram catapora ou que não foram vacinados) podem desenvolver catapora após contato com lesões vesiculares de pacientes com HZ ativa 1.

A epidemiologia da HZ revela que aproximadamente um em cada três indivíduos desenvolverá a doença ao longo da vida 7, sendo 68% dos casos em pessoas acima de 50 anos 4. Na América Latina e Caribe, a carga da doença é subestimada pela escassez de dados 1. No Brasil, estudos apontam aumento de casos durante a pandemia de COVID-19, possivelmente associado à queda transitória da imunidade populacional 6.

Os antivirais — principalmente o aciclovir, seguido de valaciclovir e fanciclovir — são opções de tratamento e devem ser iniciados precocemente 1. O manejo da dor é multidimensional, incluindo antiinflamatórios não esteroidais, antidepressivos tricíclicos, anticonvulsivantes, opióides e terapias tópicas 1.

Diante do envelhecimento populacional e do impacto funcional do HZ, a prevenção torna-se essencial. A vacinação, tanto da varicela na infância quanto da HZ em fase adulta, é considerada a medida mais eficaz para reduzir a incidência e as complicações, exigindo, contudo, estratégias integradas de educação profissional e acesso equitativo, principalmente nos países em desenvolvimento.

Referências

  1. Bardach, A.E.; Palermo, C.; Alconada, T.; Sandoval, M.; Balan, D.J.; Nieto Guevara, J. et al. Herpes zoster epidemiology in Latin America: A systematic review and meta-analysis. PLoS ONE. v. 16, n. 8, e0255877. 2021. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0255877.
  2. Freer, G.; Pistello, M. Varicella-zoster virus infection: natural history, clinical manifestations, immunity and current and future vaccination strategies. New Microbiologica. v. 41, n. 2, p. 95-105, 2018. ISN 1121-7138.
  3. Harbecke, R.; Cohen, J. I.; Oxman, M.N. Herpes Zoster Vaccines. JID. (Suppl 4) S429. p. 224, 2021.
  4. Jiang, B.; Wang, Q.; Wang, Z.; Xu, Y.; Yang, T.; Yang, W.; Jia M.; Feng L. Willingness to accept herpes zoster vaccines and the influencing factors in China. BMC Infectious Diseases  v. 22, p. 888, 2022. https://doi.org/10.1186/s12879-022-07840-2.
  5. Kwon DE, Lee HS, Lee KH, La Y, Han SH, Song YG. Incidence of herpes zoster in adult solid organ transplant recipients: A meta-analysis and comprehensive review. Transpl Infect Dis. 2021 Aug;23(4):e13674. doi: 10.1111/tid.13674. Epub 2021 Jul 14. PMID: 34153168.
  6. Maia, C.M.F.; Marquesb, N.P.; de Lucenac,  E.H.G.; de Rezende, L.F.; Martellia, D.R.B.; Martelli-Júnio, H. Increased number of Herpes Zoster cases in Brazil related to the COVID-19 pandemic. International Journal of Infectious Diseases. v. 104, p. 732–733. 2021. https://doi.org/10.1016/j.ijid.2021.02.033
  7. Marra, Y.; Lalji, F. Prevention of Herpes Zoster: A Focus on the Effectiveness and Safety ofHerpes Zoster Vaccines. Viruses. v. 14, p. 2667. 2022.  https://doi.org/10.3390/ v14122667
  8. Zhu, Y.; Tao, Z.; Feng, H.; Xu,  Q.; Chen, L.; Ding, S.; Li, Y.; Dong, Y.  Vaccination coverage, willingness and determinants of herpes zoster vaccine among individuals aged 50 and above in Ningbo, China: A population based cross-sectional study. Human Vaccines & Immunotherapeutics. v.21, n.1, p.2524247, 2025. DOI: 10.1080/21645515.2025.2524247

Data da última atualização: 15/122025/

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